O TRABALHO NÃO ESCRAVO DE UM BRASIL QUE ESCRAVISA.
(Proibir o que já é proibido, “Viver!”)
Há cerca de dois anos antes de me aposentar, fui transferido para um local denominado carregamento e faturamento de gesso agrícola. Aí foi que verdadeiramente eu soube e participei diretamente nos problemas de pessoas marginalizadas e como se pode recuperá-las, basta querer ou ter boa vontade.
Chegando naquele local, eu percebi que ali era freqüentado por vários menores (quatro) e algumas pessoas maiores de idade (dois). A primeira coisa que eu quis saber por que ali estavam aquelas pessoas, já que não eram permitidas as suas estadias.
A informação que eu obtive da empresa era de que lá não tinha alguém autorizado para permanecer. Eu fiz uma solicitação á minha chefia de que colocasse permanentemente um vigilante, para evitar esses problemas. A minha principal intenção era descobrir se haveria algo escuso naquele setor e se quem ali estava trabalhava para quem ou porque trabalhava.
As minhas intenções eu não comentei á ninguém, nem aos meus supervisores ou chefes. Escondi de todos o que eu tinha em mente. E assim foi feito, colocaram um vigilante armado e uma viatura em disponibilidade.
Quando alguém estranho ao trabalho aparecia no local toda a vigilância era acionada, isso sempre causava um enorme alvoroço e correndo o risco de um acidente fatal, pois eram pessoas correndo indiscriminadamente para todos os cantos e por dentre caminhões em transito.
Os dias se foram passando e eu comecei á perceber que as pessoas ali estavam apenas para trabalhar. Em conversa com os caminhoneiros fui saber que aquilo já fazia parte da rotina diária daquele setor á anos. Eu falei com a minha chefia de que se aquela situação já estava configurada a tempo, como acabaria com ela de um dia para o outro.
Como eu tinha autonomia para cuidar dos assuntos daquele setor eu chamei todos os rapazes que estavam clandestinamente trabalhando. Eram somente cinco. Todos já trabalhavam naquele serviço desde os dez anos de idade. Três deles já tinham atingido a maioridade e dois já tinham famílias constituídas com esposa e filhos.
Nas áreas da empresa incluso na lagoa de gesso não era permitida a entrada de ninguém á não ser funcionários e caminhoneiros e a Sabesp. Antes de minha ida para aquele local tudo ficava à surdina ou na clandestinidade. De modo que de forma alguma poderíamos acabar com aquele vicio de uma hora para a outra, pois, ali tinham outras pessoas dependendo daqueles serviços.
Era toda uma coletividade precisando do auxilio da outra, mesmo que funcionado á base de cachês, mais funcionava, ali não tinha salário fixo, era dado ás pessoas que trabalhavam apenas umas gorjetas.
O serviço, se resumia em deslonar e ajudar os caminhoneiros acertar as cargas em seus caminhões e cobrir a carroceria do caminhão com as mesmas lonas.
No inicio as pessoas que trabalhavam de forma irregular arriscavam a vida fugindo da vigilância por dentre pás carregadeiras e caminhões que estavam em funcionamento no local. Os clandestinos subiam as serras e os morros íngremes da região sob risco de caírem e perderem as suas vidas.
Vendo que não tinha alternativa resolvi organizar aquela situação. Chamei todos os envolvidos para conversarmos, (menos os caminhoneiros).
A primeira coisa que eu quis saber era como eles foram parar ali, quanto tempo ali eles estavam trabalhando, porque e quem eram eles. Eu quis saber de tudo até de suas vidas. Aí é que eu fui saber que os seus dramas eram bem tristes e os motivos deles estarem ali ainda eram maiores.
Três deles já tinham cometido crimes de mortes um maior e dois menores de idade. Os outros menores de idade tinham apenas cometido pequenos furtos, quatro deles eram usuários de drogas, cocaína, maconha e crak.
Eu fui descobrir pela boca deles mesmos que dois eram muito perigosos e só andavam armados! Isso não me metia medo, mais eu andava acautelado.
Todos tinham família, o mais estrepado era Willians, um garoto negro de treze anos de idade que fora abandonado pela mãe, e o pai tinham estados presos num presídio do estado de São Paulo e lá morridos de AIDS.
Ele vinha sendo cuidado desde o seu nascimento por uma avó que era cega de um olho e cardíaca. Conforme o que me fora informado ela lutava para obter a aposentadoria por invalidez ou por idade de sua avó e até aquela data ela não tinha obtido o sucesso em aposentá-la.
Todos eles viviam em uma favela próxima das empresas de fertilizantes de Cubatão. Como aquele tipo de trabalho já estava alem de irregular vicioso eu tinha que aos poucos ir contornando a situação sem causar danos á ninguém e nem causar riscos á mim ou a empresa a qual eu prestava os meus serviços.
Falei com meu chefe que retirasse a vigilância daquela fiscalização, deixando-a de prontidão e deixa-se o resto por minha conta. Meu chefe me avisou para que eu tivesse cuidado com o que estava fazendo, pois ali tinham muitos drogados e assassinos perigosos.
Outra coisa que eu deveria me preocupar era com a fiscalização do ministério do trabalho, pois eles poderiam autuar a empresa por autorizar trabalho de menores de idade, e preocupar-se com os inspetores do juizado de menores, (que nada faziam pelas menores de idade, mais ficava feliz em autuar empresas que tinham pessoas menores trabalhando irregularmente).
Eu garanti ao meu chefe que eu me preocuparia com tudo e que ele deixasse por minha conta. Ele me assegurou que eu poderia fazer aquilo o que achasse ser de melhor para ambas as partes, e pensasse muito bem em não me prejudicar e nem prejudicar a empresa, a responsabilidade seria minha.
Conversei com os freqüentadores da área para trabalharem organizadamente de forma segura e sem nenhuma confusão entre eles.
Depois que os autorizei trabalhar, numa certa ocasião no horário de almoço, um dos menores veio me chamar avisando que tinha outro garoto correndo atrás de um jovem maior de idade, armado de uma faca.
Eu saí de minha sala para verificar e vi o garoto que era cuidado pela avó correndo atrás de outra pessoa que tinha o dobro de seu tamanho e maior de idade. Eu gritei para que ambos parassem com aquilo e pedi que a faca me fosse entregue. De inicio não fui atendido.
Novamente pedi para que eles viessem conversar comigo, caso contrario seriam proibidos definitivamente de ficar na área.
De inicio o garoto que estava armado não quis me entregar à faca começou a subir o morro para fugir, eu gritei á ele dizendo que jamais seria permitido o seu retorno á aquele local, pois eu solicitaria uma viatura policial todas as vezes que ele ali se apresentasse.
O rapaz maior veio até mim e explicou a sua versão, disse-me que ele foi brincar com o escurinho. E que ficando muito bravo o menino quis esfaqueá-lo.
Para mostrar-lhes que não estava brincando eu mandei que naquele dia todos fossem embora e que eu não mais permitiria ás suas presença naquele local, e assim eles se retiraram.
No outro dia pela manhã assim que eu cheguei a minha sala, eu recebo uma ligação de um telefone publico e que todas aquelas pessoas que eu tinha mandado que se retirassem queriam falar comigo particularmente.
Demonstrando não estar com medo e mesmo correndo o risco de uma agressão física eu disse a eles que nada eu teria á lhes dizer e nem estava querendo ouvir o que eles teriam á me explicar.
Como os menores não estavam aparecendo no pátio para certar as cargas ou cobrir os caminhões, eu comecei á perceber que todos os veículos iam chegando para pesar vazios já vinha devidamente descoberto que eram incomuns, e quando vinham do carregamento para pesar carregado já vinha devidamente coberto, fato que raramente ou poucas vezes isso acontecia!
Eu sempre fui diferente de meus amigos que trabalhavam na empresa, eu nunca permitia um veiculo sair para as estradas com excessos de cargas.
Esses fatos foram uns motivos para eu chamar a vigilância da empresa solicitando á eles que num veiculo da segurança três vigilantes armados subissem á montanha de gesso para verificar se lá havia alguém trabalhando escondido. Pedi a eles para subirem cuidadosamente e deter quem lá estivesse.
Um caminhoneiro viu quando o veiculo chegou trazendo vários vigilantes á bordo e tentou ele avisar via radio aos outros motoristas para esconderem á todos os clandestinos em suas cabines.
Fui mais rápido e disse ao motorista que se ele não me dissesse onde estavam os garotos, e quais cabines eram os veículos, naquele dia todos os caminhões seriam revistados e que dali por diante todos os caminhões teriam as suas cabines revistadas e quem tivesse com acompanhantes seriam proibidos de adentrar em todas as empresas do grupo ULTRAFERTIL/FOSFERTIL, (são dezenas de empresas).
E completei, eu disse que a partir daquele momento todos os veículos seriam revistados já no pátio de espera, ou antes, de chegar a minha balança para pesar.
Os caminhoneiros em sua maioria, não gostavam de mim. Porque disso? Eles tinham uma idéia de que eu era uma pessoa muito ruim, quando alguém vinham carregar na industria, logo que chegavam para a triagem eles perguntavam quem era o faturista que estava responsável pela balança A ou B. Quando descobria que era um tal de Gonçalves (meu nome de guerra), logo vinha o comentário, “estamos ferrados”.
Só não gostavam de mim aqueles caminhoneiros abusados ou folgados demais, esses eram os caminhoneiros que gostavam de furar filas de caminhões ou dar chapéus nos outros colegas, os que eram muito folgados comigo estavam arruinados, pois eu sabia como puni-los e fazer com que eles respeitassem uns aos outros.
Se não fosse assim ou do modo que eu queria e que era uma exigência da empresa, eles aguardariam por um bom tempo as suas horas de carregar. Eu exigia que respeitassem as normas da empresa.
Como eu mandei os vigilantes ir verificar se alguém estava trabalhando clandestinamente e recebera a resposta que no carregamento não existiam infratores, eu solicitei que todas as cabines dos caminhões que estivessem no carregamento de gesso fossem revistadas e quem lá estivesse irregular fossem retiradas para fora da fabrica.
Exigi que parentes de motoristas ou acompanhantes que estivessem escondidos fossem deixados por eles mesmos, os próprios motoristas, na portaria da fabrica.
Quem estivesse carregando, parasse de carregar e todos teriam que cumprir essas normas. Naquele dia foi o maior rebu, muitos motoristas tiveram que levar na portaria quem com eles estivessem escondidos, suas esposas, filhos, parentes, amigos. Inclusive os garotos que eu proibira de entrar na fabrica.
O que foi que aconteceu? Como eu não quis atender aos apelos dos meninos eles resolveram entrar escondido dentro das cabines dos veículos, pois só assim estariam protegidos pelos caminhoneiros.
Tanto os caminhoneiros como os rapazes viram que eu não estava brincando e que eu levaria tudo na ponta da faca. Eu sempre fui uma pessoa justa no comprimento de minhas funções, quando alguém me oferecia algum brinde eu não aceitava.
Pois, eu entendia que esse agrado era uma forma de gratificação por futuros favores. E agindo assim, isso era um motivo de eu não deixar para os presenteadores pensar que eu estava sendo comprado.
Nos finais de ano, algumas empresas enviavam brindes diretamente para a indústria. Quem menos recebia brindes era eu, tinha vez que sequer um brinde eu recebia, alem de não fazer nenhuma questão eu achava que isso era irregular, os brindes sempre vinham com o nome dos responsáveis pela repartição para que fizesse as suas distribuições.
Voltando ao assunto dos trabalhadores irregulares, no terceiro dia da confusão criada por mim em busca de uma diretiva, novamente eu recebo um telefonema dos meninos. Eles queriam que eu ao menos os ouvisse, eu aceitei. Mandei que o veículo da vigilância fosse buscar os garotos.
Quando eles chegaram até mim eu vi que não eram somente cinco pessoas, dessa vez me apareceram seis pessoas, veio á mais um irmão de um deles, que teria acabado de sair do presídio da praia grande.
Mesmo assim eu resolvi falar com todos, eu disse que falaria mais que seria ouvido um de cada vez em separado dos demais para um não saber o que o outro estava contando, eles aceitaram conversar dessa forma.
WILLIANS,
O primeiro que entrou para falar, era escurinho e que era cuidado pela avó, eu solicitei á ele para contar parte de sua vida ele meio desconfiado me disse que se aquilo era para arrumar um emprego para ele, eu respondi se ele estava com chacotas as conversas nem se iniciariam.
Meio satírico e meio tímido o garoto não demonstrava ter toda a periculosidade que outras pessoas diziam que ele tinha. Eu fui sincero e disse que para mim era muito importante saber como era a convivência dele com a comunidade e com a família e dos seus problemas particulares, e que emprego não tinha á oferecer, talvez só proibi-lo de freqüentar a área da indústria.
Ele começou me contando que sua mãe morreu de coma alcoólico depois de adquirir AIDS, poucos dias após que ele nasceu. Ele tinha treze anos de idade, e que sua mãe ficou grávida de seu pai nas visitas intimas que acontecia dentro do presídio Carandiru, assim ela adquiriu a AIDS, já que o pai se contaminou por ser usuário de drogas.
Seu pai ainda morreu depois da mãe ainda cumprindo pena de 60 anos de prisão por assalto á mão armada seguido de tentativa de morte e agravado por duas outras mortes fruto do mesmo assalto. Com a morte de sua mãe á avó por parte de pai é quem passou a cuidar dele.
E isso vem acontecendo desde quando ele era pequenino. Ele me disse que começou a estudar os ensinos básicos. Depois ele teve que parar porque a avó teve que abandonar o emprego quando descobrira que era cardíaca e diabética.
Mesmo assim a avó ainda trabalhava fazendo pequenas faxinas só parando quando ficou cega por causa da diabete. Ele começou a vida vendendo salgadinhos que a avó fazia para lojistas da região, para transeuntes e motoristas nos semáforos de Cubatão.
Ele não parava de ajudar a avó mesmo porque ele precisava ir uma vez ao mês levar os seus jumbos para um amigo que estava detido no Carandiru.
Por diversas vezes ele foi retido pelos serviços sociais e retirado daquela vida e forçado estudar com acompanhamento de assistentes sociais. Nenhuma ajuda financeira ele ou á avó recebiam chegando á passar fome.
Algumas vezes eles recebiam apenas umas cestas básicas que a Ultrafértil doava á eles. Só que a ajuda não era por muito tempo, depois tudo era esquecido até a ajuda assistencial.
Então o que acontecia, ele era forçado a estudar, ele estudava um dia e dois ele ia trabalhar vendendo lanches. Até que em certa ocasião não tendo dinheiro se envolveu num assalto numa barraca de uma feira local.
Por falta de dinheiro em casa e sem a ajuda dos serviços sociais de Cubatão. Ele se envolveu com uns comparsas e praticou um assalto contra o feirante.
Assim que foi detido, ele foi posto na FEBEM e lá conforme ele me afirmou tudo se aprende desde jogar futebol até os chamados arrastões. O garoto me garantiu que na FEBEM é igual nas casas de detenções onde você entra como ladrão de chocolate e sai especialista em assaltos á bancos.
Poucos tempos depois de liberado da FEBEM e que ele descobriu onde ganhar o seu dinheiro honestamente e trabalhando, no caso seria cobrindo ás carroceria de caminhões nas indústrias de fertilizantes.
Foi assim que ele começou traçando a sua vida, para evitar ser perseguido pelos serviços sociais do estado ele trabalhava de manhã e no período da tarde voltou a estudar, só que ele teve que parar por um simples motivo, quando ele estava na escola estudando, volta e meia vinham policiais á sua captura para que respondesse sobre o assalto outras pessoas e seus colegas de assaltos continuavam á praticar.
Quando a policia não vinha buscá-lo para responder pelo único assalto que praticara ele praticara os motivos eram outros, vinham capturá-lo para que ele respondesse por crimes que seus antigos comparsas ainda estavam cometendo.
Sua vida se tornou um inferno, ele não tinha nenhum sossego e as coisas pioraram ainda mais quando alguns maiores que estavam drogados os espancara em um baile funck no bairro do jardim casqueiro em Cubatão.
Com a agressão ele ficou muito ferido, inclusive ficou com uma perna semi paralisada, fazendo com que ele mancasse ao deambular.
Para se vingar ele pediu uma escopeta emprestada de um marginal e matou dois de seus agressores sem a ajuda de outras pessoas. Sua vida se resumia assim, ele trabalhava naquele local a fim de custear a sua sobrevivência e da avó, para cooperar nos jumbos que eram levados para os amigos presos e para a compra e o uso não diário de maconha ou crak.
Eu disse a ele que mesmo entendendo a sua situação, eu não poderia permitir que ele ficasse no local por muitos motivos, pelo uso de drogas, por ser um criminoso e principalmente por ele ser menor de idade.
Ele me disse que aquele trabalho era o único motivo que evitava dele voltar a delinqüir. E que se eu não permitisse que ele ali trabalhasse só lhe restava outro caminho á não ser voltar a roubar.
Pois, voltar para escola nem pensar, porque com certeza era a policia poderia encontrá-lo para responder por seus antigos crimes e na favela seria fácil encontrá-lo.
Eu disse que só permitiria que ele trabalhasse ali sobre duas condições, a primeira seria voltar para estudar. E a segunda condição ele me diria quais eram as fichas dos outros seus companheiros que ali estavam querendo trabalhar e que nenhum deles usaria drogas ou criariam confusões para mim.
Ele não só aceitou ao que eu lhe propusera como delatou tudo o que anteriormente andava acontecendo no local e particularmente como os seus comparsas de trabalho eram na vida particular.
Daquele momento em diante ele passou a me avisar tudo que os outros faziam ou tramavam dentro e fora daquela área industrial.
Dava-se para perceber que o menino William era perigoso não porque ele queria mais porque a sociedade o atirou para um rumo escuro. Caso ele fosse contrariado em suas vontades ele gostava de definir as suas coisas com as mãos armadas, frente a frente ou traiçoeiramente.
Sabendo disso eu comecei a lhe provocar para ver até que ponto ele chegaria. Minha intenção não era humilhá-lo mais ver até que ponto ele agüentaria a sua necessidade de ganhar dinheiro e eu na minha razão de cumprir normas legais.
Eu disse que não deixaria que ele ou os demais colegas permanecessem naquela área porque eu não gostava dos pretos, e nem de favelados, e que a pessoa pobre deveriam nascer morta.
Ele sorriu e me disse quando uma pessoa é ruim, sequer deixa o outro falar ou sequer aceita conversar. Naquele dia ele me disse que percebeu que eu tinha o coração mole, pois, quando eu mandei que a vigilância fosse retirá-los da montanha de gesso, não exigi que fosse efetuada a ocorrência ou pego os seus nomes ou solicitado os seus documentos e pedido os seus endereços para serem entregues á policia.
Eu disse a ele que se essa era á idéia que ele tinha de mim que mudasse de pensamento, pois eu jamais aceitei que uma pessoa passasse ou tentasse passar a perna em alguém, principalmente se for em mim.
Após eu ter dito isso ele abriu um largo sorriso. Eu percebi e lhe perguntei se ele sorriu por estar duvidando de que eu não era capaz de fazer cumprir o que lhe dissera.
Ele me disse que sorriu por ver em meus olhos que eu era verdadeiro e justo. Concordei com ele na forma da avaliação que ele fizera de mim. E ainda lhe disse que a nossa conversa deveria ficar somente entre nós dois e mais ninguém.
Que permitiria que trabalhassem naquele local mais que jamais traíssem as minhas confianças, que deveriam aceitar as normas ditadas por mim, que deveriam arranjar equipamentos de seguranças os chamados EPI, e que por minha mãe não ter leite para me amamentar quando eu era criança e muito adoentado, eu fora amamentado por uma senhora negra, portanto minha segunda mãe era negra, e nada tinha contra negros, só adoração!
Uma a uma daquelas pessoas iam entrando em minha sala para conversar comigo cada um deles tinham problemas diferentes uns dos outros, mais todos estavam dentro de suas realidades, á miséria em seus lares provocam a ira e as seqüências de suas vidas descaminham para á marginalidade.
DOUGLAS,
O próximo que veio falar comigo foi Douglas, um menino de 16 anos de idade vivendo maritalmente com outra pessoa também menor de idade uma garota de 14 anos. Era um garoto muito bonito com os cabelos cumpridos parecia até um modelo fotográfico. Ele começou me contar a sua vida e os seus problemas. Todos eles sabiam que eu só permitiria as suas presenças depois de analisar o que eles iriam dar como justificativas das suas necessidades em trabalhar num lugar proibido, já que o risco maior seria o meu.
Douglas me disse que era menor de idade. Nunca usou drogas. Disse-me que morava na favela maráca e que tinha mãe e esposa para sustentar. Garantiu-me que sempre estudou e ainda continuava estudando. Morava junto com a mãe e a esposa em um barraco de madeira de nove metros quadrados, e que se chovesse o barraco ficava inundado.
Contou ele que nunca teve envolvimentos com marginais e que pretendia estudar até se formar engenheiro químico. O que ele me falou tanto era verdade que nunca alguém desmentiu ou provou em contrario as suas informações.
O rapaz tinha os trejeitos de uma pessoa granfina. Nos meus primeiros dias naquele local de trabalho eu já percebera que o jovem era diferente dos demais, por isso sequer fiz outra exigência á ele, a não serem as mesmas que eu fizera aos demais.
JERRANY,
Era maior de idade mais aparentava ser menor de idade devido á sua magreza e o jeito esmirrado do seu corpo. Ele me disse que a sua família fora morar na favela Maracangalha (Maráca) a pequena vila vizinha da fabrica de fertilizantes (de Cubatão) por não ter onde morar. Que ele sua mãe e um Padrasto, o qual ele assassinara com uma espingarda de caça quando era menor, houveram sido expulsos de outra favela em que eles moravam num dos morros de Santos, morro do Jabaquara, onde os barracos tiveram que serem demolidos por ordem da justiça.
Contou-me também que desde os cinco anos de idade trabalhava ali naquela área ajudando os motoristas de caminhões a cobrirem as suas cargas. Eu disse que pelo que eu soubera através dos outros meninos com que conversara de que ele começou á trabalhar naquela área aos dez anos de idade, portanto, ele estava mentindo.
Jerrany me garantiu que os outros foram trabalhar lá levados por ele e que a primeira pessoa a chegar foi ele. Falei que anteriormente muitas vezes fui até a balança de carregamento de gesso e eu nunca vi pessoas naquela área fazendo aquele tipo de trabalho, quanto mais os menores de idade.
Ele me garantiu que aquilo era verdade e que eles não eram flagrados porque iam escondidos dentro das cabines dos veículos até onde as maquinas carregavam os caminhões. Depois que ajudavam os motoristas eles se escondiam até o termino do dia para saírem daquele local e que sempre usaram o mesmo tipo de tática.
Eu quis saber mais, e ele continuou a dizer, disse-me que por não ter dinheiro e na falta daquele trabalho o que acontecia na entre safra, quando ainda era menor de idade muitas vezes ele invadiu a área da empresa Ultrafértil para praticar alguns pequenos furtos e ter como sobreviver.
Que ele só parou de roubar quando conseguiu aquele serviço e que ele corria muito risco naquele trabalho. Mesmo assim ele entendia que risco maior seria andar praticando assalto nas ruas.
Perguntei-lhe se já havia feito algum assalto, o rapaz me disse que fez vários. Perguntei quando? Ele me disse quando ainda menor, e que somente parou de assaltar quando ficou firme naquele trabalho.
Que dali era que tirava o sustento para a sua família, e que vivia maritalmente com uma moça e que tinha um filho de oito anos de idade e que a criança estudava em uma escola de Cubatão. Disse-me, que o dinheiro servia para ajudar no transporte da criança, pois, quem levava a criança era a sua mulher e ela pagava pelo transporte.
Disse-me ainda que uma única vez ele chegou á trabalhar com registro em carteira profissional na função de ajudante geral numa empreiteira dentro da própria Ultrafértil, mais ficou apenas cinco meses trabalhando, e o emprego da (gata) que prestava serviços na fabrica era muito fraco e a empreiteira não cumpria com a legislação trabalhista.
Disse-me que o outro motivo que fez com que ele não quisesse voltar a trabalhar na área da Ultrafértil e que ele só saiu do emprego porque o seu chefe andava com umas conversas moles para o seu lado e percebeu que seu chefe depois que conheceu a sua esposa em uma festa da empreiteira num final de ano, passou a demonstrar um grande interesse em se relacionar amorosamente com ela.
Para não fazer outra bobagem ele abandonou aquele emprego. Eu quis saber dele como foi que ele matou o seu padrasto. Ele me disse que aos treze anos de idade a sua mãe vivia com um homem que era muito violento e perigoso. Que o seu ex-padrasto era usuário de drogas e bebia demais.
Disse-me que seu padrasto forçava a sua mãe a se prostituir para conseguir dinheiro para as suas drogas e bebidas. Contou que ele foi um garoto que estudou o ensino fundamental por pouco tempo, pois, o padrasto forçava-o a trabalhar para ajudar nos custeios da família. Com isso sua mãe também passou a beber e a usar drogas.
De tanto ele como á mãe serem surrados muitas revoltas se acumularam dentro de si. Falou que mesmo constantemente surrados ninguém os socorriam tendo em vista a periculosidade de seu padrasto.
Com as constantes agressões que a mãe vinha sofrendo ele foi se enchendo de ódio pelo padrasto, até que em numa certa ocasião, quando a mãe estava sendo agredida. Ele foi á seu socorro e o padrasto começou á espancá-lo de forma violenta.
Num descuido do padrasto ele se apossou de uma velha arma de caça (espingarda) que eles tinham dependurada em uma parede do barraco apontou-a para o agressor e pediu para que parasse com a agressão.
O padrasto não só duvidou como também partiu para cima dele com o intuito de tomar-lhe a arma, ele fez um único disparo, e matou o padrasto.
Sequer foi preso, apareceram muitas testemunhas inclusive a mãe que depuseram á seu favor, dado ao vicio a mãe continuou a se prostituir depois se engravidou e teve outro filho que assim como á mãe morreu de AIDS. Essa era a sua verdadeira vida e que ele também era usuário de drogas e de bebida alcoólica.
Eu lhe disse que se permitiria á ele freqüentar aquele local se ele se comprometesse em não usar drogas e aceitar ás regras impostas para evitar acidentes de trabalhos e a ocorrência de furtos ou brigas entre eles mesmos.
Só depois de seu comprometimento que eu permiti que ele continuasse a ganhar o seu pão de cada dia.
CELSINHO,
Esse menino agora com quatorze anos de idade contou-me que desde os nove anos de idade era usuário de drogas, começou a cheirar gasolina, cola, tinner, tinta para pintura de veículos, éter, era usuário de cocaína, maconha e crak. Eu disse que ele deveria ser um verdadeiro laboratório ambulante. Que em qualquer hora ele explodiria ao acender um palito de fósforo.
Celsinho me disse que chegou a ser avião de traficantes de drogas. Morava num barraco na favela do maráca (Maracangalha) juntamente com á mãe e mais outros três irmãos menores, moravam ainda no mesmo barraco á sua namorada que estava grávida, uma cunhada e um sobrinho de menos de um ano de idade.
Contou que um de seus irmãos também trabalhava com ele naquele serviço de cobrir e acertar cargas de caminhões. Tanto ele como os irmãos já tiveram sido detidos na FEBEM de São Paulo. Todos foram detidos por posse e uso de drogas e pequenos furtos á caminhoneiros e á supermercados.
Eles estavam trabalhando naquele local á cinco anos ou seis anos. Ele e o irmão trabalhavam desde pequenos para ajudar a garantir os sustentos de toda a sua família. Celsinho, na época em que falava comigo estava com quatorze anos e o irmão com dezesseis. Ele me contou que também tinha outro irmão que fora assassinado por policiais militares quando ainda tinha doze anos de idade.
Na morte a do irmão alegação dos policiais era de que o irmão tinha sido morto por fogo amigo (um bandido atirou nos policiais e o tiro atingiu ao seu irmão...)
Celsinho me disse que foi mentira dos policiais, pois o seu irmão não andava armado, não assaltava só era usuário de droga, e no dia dos fatos ele estava sentado em frente à porta de seu barraco quando foi atingido por policiais que invadiram a favela em busca de um foragido do presídio Dacar 10.
Contou-me também que nessa mesma ocasião outra pessoa também menor de idade, só que mais corpulento tinha não mão um pequeno canivete de descascar laranjas ou fazer sedinhas (papeis para embalar cigarros de maconha) e o qual no momento da invasão policial o amigo estava usando para descascar uma maçã (a arma foi deixada como prova por policiais), foi atingido e foi morto num suposto entrevero com os policiais. Nenhum deles estava de posse de drogas e no momento da invasão policial e que os menores não tentaram fugir ou reagir.
Tanto ele como o outro irmão tinham em seu barraco aparelhos de tv e radio, seu barraco era fruto daquele trabalho com carga e cobertura de veículos. E que ele tinha uma namorada de treze anos de idade que estava grávida e o irmão tinha uma companheira também menor de idade e com um filho de meses de idade, que era dali saíam os seus sustentos.
Com a mesma garantia de que ele não usaria droga, porque queria cuidar de sua família e me garantiu que iriam respeitar as normas que lhes seriam impostas alem de que dias antes me implorou para que eu lhes desse uma chance de sobreviver além de que eu já tinha tomado a posição que mesmo infringindo leis trabalhistas eu não podia jogá-los em poços mais fundos do que já estavam permiti que ele trabalhasse no local.
MARCOS,
Marcão, como era tratado pelos demais era maior de dezoito anos de grande ele só tinha o nome era pequenino mais bem inteligente, estudou até a terceira serie, sempre foi usuário de droga, havia matado uma pessoa por violência sexual e que já estivera detido na FEBEM de São Vicente.
Quando menor de idade ele chegou á praticar assaltos á mão armada, não se envergonhava em dizer que ainda menor foi estuprado por outro menor de idade com a ajuda de outras pessoas também menores de idade dentro da própria FEBEM.
E o único crime de morte que ele cometeu foi matar quem houvera lhe estuprado na FEBEM! Pedi que ele me relatasse como tinha sido a sua vida desde a infância. Disse-me que nunca conheceu o pai, que estudara por pouco tempo, que ele chegou a roubar para comer e tanto á mãe como a irmã (também menor) se prostituía.
Moravam num miserável barraco na favela local. No barraco deles não tinha muita coisa, só tinha o necessário para viverem. Contou-me que a irmã dele quando tinha onze anos foi estuprada por um caminhoneiro que veio carregar produtos numa fabrica de Cubatão.
Que esse caminhoneiro jamais voltou para Cubatão, se voltasse certamente seria morto por ele, para pagar a desonra feita á sua irmã. Para evitar que isso o acontecesse mandou um aviso por colegas do estuprador para que ele não mais aparecer naquele local, pois certamente seria assassinado.
Cotou que os serviços sociais tentaram fazer tratamento psicológico para a irmã dele, mais ela desistiu porque viu que não resultaria em nada, e que estava ela perdendo tempo e dinheiro em transportes.
Disse-me ele que nem por fotos soube quem era o seu pai. Contou-me que ele sabia que o seu caso não era o único e que não conhecer o pai era normal pois muitos colegas que ele conheceu na FEBEM nem o nome do pai tinham em seus registros de nascimento. A irmã dele também não sabia quem era o pai, porque a mãe por ser uma prostituta não tinha maridos nem amantes, só fregueses.
Tanto á mãe como a irmã não eram usuárias de drogas somente ele era usuário. Afora isso ele era costumeiro no uso e no abuso do álcool. Ele queria ter outro rumo na vida e ajudar a mãe e a irmã a sair da vida da prostituição.
Eu perguntei a Marcão se era verdade a historia que ele me contou do estupro da irmã, o mais correto não seria ela, a irmã pegar raiva de caminhoneiros ou dos homens, ou ter medo de se aproximar de algum homem?
Ele me disse que não, pois, depois disso a irmã tivera um namoradinho e que ficou grávida do namorado, que ela perdeu a criança quando teve um problema de saúde. Poucos tempos depois lhe ofereceram algum dinheiro por um encontro amoroso, ela aceitou uma primeira vez e depois descambou geral.
Como os demais ele se comprometeu a respeitar o local em que iria trabalhar e eu o permiti.
A MINHA RESOLUÇÃO PARA AJUDAR QUEM DE AJUDA PRECISAVA.
Naquele mesmo dia eu chamei todos para conversamos de uma vez, ditei as normas que eu queria. Se eles aceitassem e se comprometessem a cumpri-las, tudo bem, caso contrário nada feito.
O acerto ficou da forma por mim desejada. Todos os menores deveriam escolher um período para voltar a estudar e trabalharem devidamente equipados com material de segurança, nada de uso de drogas ou bebida alcoólicas.
Essa minha norma foi cumprida até eu me afastar por problemas de doença. Depois pelo fato da empresa terceirizar o setor eu saí do local, e os jovens foram proibidos de uma vez por todas de freqüentar aquela área.
Cada uma daquelas pessoas ganhava em média por dia cerca de oitenta reais. Eles não faziam exigências de valores e não existia uma tabela de preço. Cada motorista dava á eles aquilo que eles achavam que deviam dar como cachê.
O mínimo que um motorista de caminhão dava á um ajudante para cobrir e acertar sua carga variava de dois a cinco reais, algumas vezes até dez reais aquelas pessoas recebiam pela ajuda dada ao caminhoneiro.
Naquela área de carregamento por período entravam para carregar no mínimo 100 caminhões. Tinha dia que eram carregados de gesso mais de duzentos veículos. Os jovens voltaram a estudar á noite ou no período da tarde, e nunca faltavam ao trabalho, antes que a portaria do local abrisse para a entrada dos caminhões os jovens já estavam presentes para trabalhar.
Não faltavam uns dias sequer era de segunda á Sábado. Para eles não existiam folgas e nem feriados. Estavam organizando as suas vidas, tratando de suas famílias tinham se modificado. Abertamente se percebia isso, mais infelizmente eu não pude mais ajudá-lo. Primeiro eu saí do setor para o tratamento de uma lesão no joelho, e depois não voltei para aquela área para depois me aposentar.
Eu soube mais tarde, fatos que houvera acontecido com aquelas pessoas depois de abandoná-los, dois deles foram mortos em confronto com á policia. Um houvera sido preso após praticar assalto á mão armada. Um detido por traficar drogas, E outro estava foragido acusado de latrocínio.
Resumi que o que eu fazia era irregular mais era o mais correto, e o que deveria ser feito pelas autoridades ou pelas Ongs que recebem verbas do estado para fazer alguma coisa e não as fazem, aliás, eu acho que só deveria haver órgãos governamentais interferindo e ajudando menores carentes e não curiosos que tem interesses em entrar para á vida política,
Fazem proibição de menores andarem pedindo esmolas nas ruas ou em semáforos. Proíbem que eles trabalhem. Querem que as pessoas não lhes dêem dinheiros, mais os carros dos serviços sociais não os ajudam e não os tiram das ruas á força porque as leis não permitem. Os órgãos sociais e nem as ONGs vão de casa em casa ou de favela em favela para ajudá-lo de lá com ajudas permanentes, só existe palavras daqui e dali mais o que se deve fazer não se faz.
Principalmente na classe dos políticos o falatório com promessas absurdas de se cumprir aumenta mais em vésperas de eleições. São promessas são planos e nada se faz. O melhor que se acham e deixá-los ficarem nas ruas e que lá eles irão aprender o quê? Dá para explicar? Somo-nos muitos eufemistas!
Pensar que essas bolsas esmolas irão tirar as crianças das ruas é contar historias para crianças dormir. São devido á fatos como esses que percebemos porque cada dia que passa, mais aumenta o numero de marginais e assassinos. Tudo isso é por culpa de nós mesmo!
Se aquelas pessoas que eu ajudei me respeitaram, e que eram consideradas assassinas, pediram uma chance, eu as dei e eles respeitaram ás normas ditados para seguirem. Porque os órgãos governamentais não fazem o mesmo. Deixem que eles trabalhem, ajudem as suas famílias, dêem-lhes boas escolas. Só assim é que acaba com a marginalidade.
Dar uma bolsa miséria de cem reais (que não é esse valor), para uma família de cinco ou mais pessoas, todos desempregados, com vários menores de idade em seu seio, e escolas publicas de péssimas qualidades, e que não são por culpas só dos professores, são por culpas de todos!
Com roupas para comprar, luz e água para pagar, imposto predial para pagar se o tiver, mais a alimentação. Assistência médica de má qualidade, não há uma diversão para esses adolescentes, se não há empregos? Só lhes resta roubar.
Sabemos que mais de cem reais gasta uma só pessoa de classe alta em alimento para os seus cães de raça. Sem contar com as boas assistências medicas e tratamentos estéticos que é dada aos seus animais de estimação.
Os políticos e os órgãos governamentais estão abusando da inteligência do povo brasileiro.
Todos os órgãos assistenciais (todos) são contadores de fabulas e mais nadas. Tanto os particulares, como os órgãos governamentais, falam pelos cotovelos, falam muito e poucos fazem. Somos nós mesmos que criamos os caminhos para a bandidagem.
A nossa própria sociedade é a maior culpada com o que acontece em nosso país. A criminalidade e a marginalidade só diminuirão quando nós mesmos mudarmos em nosso conceito de vida.
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